domingo, 29 de janeiro de 2017

A DESCOBERTA


"Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos."
Orson Welles
Eu sempre sonhei em ter filhos, desde muito crianças somos condicionadas. O meu primeiro brinquedo foi uma boneca Bebê, antes de aprender a escrever já pensava em listas para os nomes dos meus filhos. Fui crescendo e o desejo só foi aumentando, principalmente após o divorcio do meus pais no início da minha adolescência quando meu pai me abandonou. Sonhava com uma família grande, tinha muito receio de ter filho com um homem que não desse a eles apoio emocional por este motivo não tive filhos cedo.Quando recebi a notícia que deveria fazer a histerectomia foi em 2014 e eu estava sozinha, mal consegui acompanhar o que foi dito após essa notícia na consulta. Peguei um táxi e não conseguia parar de chorar para falar o endereço... sim foi muiiito dramático! Uma dor que nunca havia sentido antes, passei 3 dias de luto... dormia e acordava chorando. Foram vários pensamentos, nunca engravidar... amamentar... cuidar de filho mel... ver meus olhos em alguém... receber um abraço ou ouvir alguém me chamando de mãe... ter netos... me senti seca, uma fraude! Logo conheci outro médico que me prometeu que faria de tudo para preservar meu útero, pois com 31 anos e sem filhos ele não iria fazer a histerectomia. Foi uma alívio, nos exames eu estava com 5 miomas e um fluxo menstrual que já durava 3 meses, sentia dores fortes. A cirurgia foi realizada em dezembro de 2014 e ao invés de 5 ele retirou 15 miomas! De vários tamanhos, meio quilo de coroços... mas me recuperei! meu fluxo voltou ao normal e fui fazendo o acompanhamento, ele havia me alertado que poderiam ter ficado mais miomas mas não poderia retira-los pq eram muito pequenos. Relaxei um pouco, devido a problemas com plano de saúde e fiquei 12 meses sem fazer uma ultrassonografia. Essa semana fiz um novo exame e para minha tristeza foram detectados mais 11 miomas....Meu útero é retrovertido, apresenta uma má formação chamada de útero bicorno. Até aí, nada que impossibilitasse uma gestação, mas a cirurgia de 2014 deixou a parede uterina como disse o médico um queijo suíço, muito abalado... mesmo assim estava tranquila, achando que o problema havia sido sanado, mas lá no fundo ficava aquele medo. Agora com outra cirurgia será para a retirada do útero... ainda não tenho data, estou me preparando mentalmente e emocionalmente. Não está sendo fácil!








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