segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Por que é tão difícil falar sobre "não poder ter filhos"?


Ao mesmo tempo que tenho necessidade de colocar para fora o que sinto, não consigo fazê-lo. Não que minha família e amigos não estejam dispostos a me ajudar, mas pq temos muita dificuldade em ouvir a dor do outro. As pessoas ficam tentando me confortar e nisso ouço de tudo: "aceite a vontade de Deus, ele sabe o que é melhor para você!", "pra quê colocar mais um ser humano nesse mundo complicado?", "Você ainda acha que maternidade é uma realização feminina?", "estamos vivendo outros tempos a mulher moderna tem tantas coisas para fazer a maternidade é o de menos!", "sofrer por quê? Filho dá tanto trabalho! Você teve foi sorte!", "você tem que ser grata, tanta gente com doenças graves como o câncer e vc ai sofrendo?! Seu mal tem solução, vc pode adotar!", etc...
Há muita verdade em muitas dessas frases, mas qd se doí por dentro a razão não é remédio! O que se quer é poder se doer, deixar esvair pra ver se um dia a dor passa.

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"Uma benção receber amor. Mas quando a gente dói, a gente precisa saber formas de cuidar da própria dor com o jeito carinhoso com que gostaríamos de ser cuidados pelos outros, com a delicadeza com que cuidamos de outras pessoas. A gente precisa se ter, antes de tudo. O beijo precisa começar em nós."
Ana Jácomo


domingo, 29 de janeiro de 2017

A DESCOBERTA


"Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos."
Orson Welles
Eu sempre sonhei em ter filhos, desde muito crianças somos condicionadas. O meu primeiro brinquedo foi uma boneca Bebê, antes de aprender a escrever já pensava em listas para os nomes dos meus filhos. Fui crescendo e o desejo só foi aumentando, principalmente após o divorcio do meus pais no início da minha adolescência quando meu pai me abandonou. Sonhava com uma família grande, tinha muito receio de ter filho com um homem que não desse a eles apoio emocional por este motivo não tive filhos cedo.Quando recebi a notícia que deveria fazer a histerectomia foi em 2014 e eu estava sozinha, mal consegui acompanhar o que foi dito após essa notícia na consulta. Peguei um táxi e não conseguia parar de chorar para falar o endereço... sim foi muiiito dramático! Uma dor que nunca havia sentido antes, passei 3 dias de luto... dormia e acordava chorando. Foram vários pensamentos, nunca engravidar... amamentar... cuidar de filho mel... ver meus olhos em alguém... receber um abraço ou ouvir alguém me chamando de mãe... ter netos... me senti seca, uma fraude! Logo conheci outro médico que me prometeu que faria de tudo para preservar meu útero, pois com 31 anos e sem filhos ele não iria fazer a histerectomia. Foi uma alívio, nos exames eu estava com 5 miomas e um fluxo menstrual que já durava 3 meses, sentia dores fortes. A cirurgia foi realizada em dezembro de 2014 e ao invés de 5 ele retirou 15 miomas! De vários tamanhos, meio quilo de coroços... mas me recuperei! meu fluxo voltou ao normal e fui fazendo o acompanhamento, ele havia me alertado que poderiam ter ficado mais miomas mas não poderia retira-los pq eram muito pequenos. Relaxei um pouco, devido a problemas com plano de saúde e fiquei 12 meses sem fazer uma ultrassonografia. Essa semana fiz um novo exame e para minha tristeza foram detectados mais 11 miomas....Meu útero é retrovertido, apresenta uma má formação chamada de útero bicorno. Até aí, nada que impossibilitasse uma gestação, mas a cirurgia de 2014 deixou a parede uterina como disse o médico um queijo suíço, muito abalado... mesmo assim estava tranquila, achando que o problema havia sido sanado, mas lá no fundo ficava aquele medo. Agora com outra cirurgia será para a retirada do útero... ainda não tenho data, estou me preparando mentalmente e emocionalmente. Não está sendo fácil!








Olá, meu nome é Katia e não posso ter filhos.


Descobri recentemente a minha infertilidade moro em Goiânia- GO. 
Bem-vindo!


     Meu nome é Katia, descobri recentemente minha infertilidade. Meu objetivo com este blog é falar sobre os afetos que me envolvem neste momento e poder ressignificar minha vida, minha condição de mulher além da fronteira da maternidade... acredito que temos outros horizontes para explorar!
     Meu desejo é que aqui seja um lugar onde mulheres que passam por algo semelhante possam encontrar apoio, compartilhar suas dores e alegrias da jornada de ressignificação de suas vidas.